Do original no Caderno Viva de 01.02.2009
Na Capital, a proposta de meditar em conjunto tem sido estimulada por várias organizações com foco para a paz.
De forma diretiva e específica, em setembro último, o Instituto de Yoga Vivekananda, conduzido pelo casal indiano Harbans e Vedi Lal Arora, e o Instituto de Ciência, Cultura e Filosofia Hindu de Fortaleza, coordenado pelo médico Cláudio Roberto Azevedo, tomaram a iniciativa de encabeçar um experimento neste sentido.
Arora e Azevedo checaram mais de 60 estudos realizados em todo o mundo, os quais comprovaram cientificamente os efeitos da mentalização, meditação e oração na redução dos índices de criminalidade.
Ser ativo
Conforme a médica especialista em Saúde da Família e Terapia Anti-estresse, Lúcia Maranhão, nos dias de hoje, jornais, revistas e livros trazem notícias de atentados terroristas, guerras, fome, desemprego, inflação, estresse, depressões e muitos outros acontecimentos desagradáveis.
´Dentro de nossas famílias há pessoas que freqüentaram universidades e cursos diversos e partiram para a ´luta´ para conseguirem seu lugar ao sol. Muitos voltam frustrados com a competição cada vez mais acirrada´.
Para Maranhão, antes de qualquer coisa, cada um deve tentar buscar dentro de si próprio os recursos que possui. Empregá-los de forma ativa e não passiva. Estabelecer objetivos, como se propuseram Arora e Azevedo, é estar aberto a aprender a cada dia novas formas de alcançá-los, com o uso da própria força interior. ´Essa atitude por si só conduz a uma vida plena e a paz de espírito´.
Assumir neste momento nova atitude diante da vida, refletindo sobre sua ação pessoal no mundo, para ela, é escolher pela alternativa harmoniosa. ´Temos que nos preparar para esse novo tempo. Não há como mudar o passado, mas podemos reescrever o roteiro de nossas vidas e mudar o final da história´.
O bom combate
A serenidade exige uma atitude pró-ativa, diz o psicólogo Roberto Crema, que explica que a paz não é ausência de conflito. Seu oposto, a estagnação, é indicado na sabedoria do I Ching.
´Paz é a presença de movimento, é o triunfo do processo, é ser capaz de se ancorar no Agora transtemporal, dádiva e dom do Instante´, registra Crema, lembrando que em essência samurai significa ´servidor da paz´.
A diferença entre Gandhi e Hitler, reforça Crema, é que o último lutou pela sua autoglorificação. Enquanto Mahatma lutou por tudo e todos, pelo Ser. ´Abrir-se e disponibilizar-se para o bom combate, ser ativista da paz, eis o imperioso desafio!´.
O projeto Fortaleza em Paz consiste na reunião de grupos de pessoas, conforme o médico e professor Cláudio Roberto Azevedo, para meditarem com o foco na paz para toda a cidade. Cada um pode proceder a esta prática em sua própria casa ou mesmo em seu trabalho. A idéia é sincronizar o momento e a duração da meditação de todos os participantes, para que a energia produzida por eles seja maior. “Pessoas reunidas em grupo têm mais poder que pessoas isoladas”, diz.
Mais de mil pessoas já participam da experiência, que terá duração de quatro meses, com índices de violência checados junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado, comparando os dados com o mesmo período de 2008.
Mais informações no site: www.fortalezaempaz.org. E interessados em se cadastrar, no site: www.orion.med.br.
DADOS
600 pessoas com o pensamento voltado para a paz é o número crítico (ou 1% da população local) suficiente para modificar os quadros de violência na cidade, conforme o físico quântico Harbans Lal Arora.
FIQUE POR DENTRO
O caminho da não-violência e não-resistência
O Projeto Fortaleza em Paz é uma iniciativa de um grupo de pessoas ativistas da Cultura de Paz e foi idealizado pelo Prof. Harbans Lal Arora, Ph.D em física quântica e professor da Universidade Federal do Ceará.
Como um experimento de cunho científico, esse Projeto foi lançado em 1° de janeiro último, Dia Internacional da Paz, instituído pela ONU.
Harbans Arora esclarece que o foco central do projeto é a diminuição da violência na capital cearense. Ele se fundamentou em pesquisas realizadas em várias cidades do mundo com a meditação, as quais demonstraram que quando um número crítico, correspondente à raiz quadrada de 1% da população - independente de religião ou credo - se reúne em prol da Paz, estes próprios se beneficiam e proporcionam benefício idênticos, mesmo aos que não estão voltados a esta prática.
A reunião de pessoas, em vários horários e locais da cidade, repetindo a frase ´Fortaleza em Paz´ (inicialmente durante 5 minutos) cria um campo de ressonância que influencia a todos com uma melhor qualidade de vida, bem-estar e saúde.
A opinião do especialista
LÚCIA MARANHÃO
Médica, especialista em Saúde da Família, Terapia Anti-estresse e Reiki
Vida plena em 2009
O que você quer realmente? Já parou para pensar?
O mundo atual necessita de indivíduos arrojados, que não temam desafios e se disponham a enfrentar o desconhecido de maneira mais ousada. O homem moderno tem se limitado a pensar, planejar, sonhar, distrair-se e deixar de lado a ação. Perde-se em utopias e sua vida continua cinzenta, opaca, sem colorido. Viver é, antes de tudo, seguir estrategicamente; preparar-se para escolhas conscientes, responsáveis e deliberadas.
O que queremos, realmente? Uma carreira de sucesso? Uma posição de destaque na sociedade? Os aplausos do público por expressarmos nossos dotes artísticos? A aquisição de um carro de luxo? Um título disputadíssimo na área da ciência e/ou pesquisa? A posse de uma bela mansão num lugar privilegiado? Uma vida confortável, que concilie tempo para dedicar-se à família e ao lazer? Ou simplesmente paz e felicidade?
Seja qual for o nosso ideal de sucesso é importante que estejamos preparados não só para o triunfo, mas também para a derrota. Abraham Lincoln - que foi presidente dos Estados Unidos - foi um grande exemplo a ser seguido. Sua vida foi repleta de vitórias e um número não menor de derrotas. Nunca se deixou abater pelos insucessos. Cada um deles serviram para fortalecer seu ânimo e dar-lhe novas esperanças para prosseguir em busca dos seus ideais. Sua força interior estava na perseverança, no amor ao seu trabalho, no autocontrole e na motivação que o levava à execução de trabalhos maravilhosos.
Nos dias de hoje, os treinamentos que recebemos não têm eficácia duradoura: existe um limite para eles. Onde está a falha? Talvez no modelo de educação atual, que prepara o indivíduo para exercer uma única profissão. A volta dos modelos gregos da antiguidade pode ser a solução. Os gregos buscavam o desenvolvimento completo do ser humano. Tocar um instrumento musical, meditar e outras práticas que devolvem a sensibilidade e estimulam a criatividade, o entusiasmo, podem ser alternativas para a busca dessa vida plena que tanto ansiamos.
ROSE MARY BEZERRA
Redatora





